A notícia chega a ser destaque no The Guardian: morreu Eusébio. Ainda a memória de um jogador que perdura. Não um jogador destes tempos de grandes contratações e publicidades, mas sim um jogador votado de humildade e com um nome que mais ninguém tem: Eusébio. Foi tão fenomenal em 66 que os ingleses continuam a lembrar-se dele. Como é que terá sido vê-lo jogar? Uma pantera negra da bola? Seria daqueles que ocupam o espaço todo no relvado, que estão sempre em todo o lado, que ligam os motores e levam tudo à frente? O certo é que os ingleses sempre o recordam e, para muitos, ele é o verdadeiro símbolo do futebol português.
Hoje existe um Cristiano Ronaldo que consegue ser ainda mais famoso. Jogou alguns anos em Inglaterra, onde se fez jogador, e tornou-se uma das figuras com maior destaque nesta máquina complexa que é o futebol de hoje. Confesso que já não lhe dou muita importância (ao futebol) e perdi praticamente todo o interesse em acompanhar jogos e resultados. O Benfica, o meu clube de sempre, é apenas mais um que quase nunca ganha nada, que já não anda na alta roda, e cujos jogadores são estrangeiros desconhecidos sem aquela mística que ainda existia nos anos 90.
Sou ainda do tempo em que via jogar o jovem Rui Costa, o Paulo Sousa, ou o João Pinto, jogadores que numa geração abaixo da deles teriam uma projecção ainda maior do que a do CR. Fizeram carreira numa época de transição para isto que temos hoje e talvez o Figo tenha sido o mais mediático de todos. Mesmo assim, nenhum deles consegue ter o estatuto do Eusébio: o pantera negra, o mito, o melhor jogador português de sempre. Eram outros tempos, outro futebol e provavelmente uma paixão desportiva muito mais autêntica. Hoje morreu o último símbolo.