5.1.14

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O dia que nasce agora é uma incerteza no calendário. Vê-se a luz entrar tímida pelas frinchas da janela e os primeiros sons do dia baterem à porta. Não é ninguém. É apenas o dia a dizer por sons que começa. O som do despertador é um deles. Troco-o por música e abro a janela toda. Há uma tranquilidade lá fora: árvores em câmera lenta, pequenos pássaros, as folhas secas no chão quase a serem húmus, vegetação que não cresce por agora, uma cor alaranjada no céu das traseiras. Ainda é escuro na cozinha; enquanto preparo o primeiro café do dia. Não lavo a cara. Quero ter a insónia do dia. [Pascal Comelade & Bel Canto Orchestra - Live in Lisbon & Barcelona - 1999]