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Só um tolo acorda às cinco da manhã para ouvir o AH UM do Mingus, como se estivesse numa cave cheia de fumo em NY, copo de uísque na mão, cigarro na outra, uma femme fatale ao balcão, mas nada disso: um quarto apenas, um gira-discos, e um vinil de 180 gramas com uma edição barata. O suficiente para afugentar todos os fantasmas e as palavras desfocadas e abstractas da cabeça. No escuro não se vê a agulha, apenas um brilho de luz do candeeiro naquele preto em círculos, tão mais lento do que todos os instrumentos, os metais em erupção a meio da noite, saxofones, trompetes, é uma ideia de insônia que se assusta. Charles Mingus - Mungus Ah Um (1959)
