Depois de um dia inteiro sem trocar palavras, ficamos os dois a olhar um para o outro, sem pensar em nada, a dizer coisas sem nexo em línguas completamente diferentes. Tu dizias blá blá blá, eu dizia pué pué pué. Por muitas palavras estranhas, sons sem nexo, frases incompreensíveis, sabíamos exactamente o que o outro queria: chegar àquele ponto prévio sem distância, em que não é preciso dizer mais nada e onde o silêncio é toda a sabedoria do universo. Aos poucos perdemos também a noção de tempo, de espaço e ascendemos a um planalto longínquo.
Moondog - Moondog (1956)