Fecho os olhos e escuto os sons do dia: gente que fala, folhas secas no chão, o som da máquina do comboio, os ecos das ruas fechadas, as páginas de um livro. Guardo todos esses sons comigo e construo o dia enquanto espero pela noite que vem tão cedo. Fico no escuro da viagem e vejo o tempo que passa, iludido pela escrita e pelas imagens que ignoro como se não fossem realidade. Ao abrir o livro, outro mundo existe. Apago momentos que não interessam e respiro um pouco do silêncio possível. À noite, quando é mesmo noite, abro os olhos para saber que dia me espera ao acordar.
Labradford - Fixed::Context (2001)