A ausência traz um terramoto silencioso na noite escura.
A manhã absorve as ideias perdidas e alimenta
a rotina dos dias, sem amigos, sem aqueles de um outro
planeta, o planeta-casa.
Durante dias e dias os livros obedeceram à combustão
das palavras e os hinos à solidão não foram melódicas,
mas sim ruídos colados à pele.
A ausência traz-nos um ruído de biblioteca
e uma espera interminável, o sonho de algum dia ser
um corpo e não um fantasma.
("um dia, tiro uma semana")
As palavras amontoam-se cá dentro. Em livros,
em canções, em arquitectura de pensamentos projectados
no futuro... que depois pedem para sair num arrombo
de porta silenciosa, por não termos baixas frequências
nos ouvidos, mas apenas um vibrar de corpo invisível
a guiar-nos para um futuro sempre desconhecido.
14.01.2007