Abro as portas para a minha sala vazia.
Estar só é ver-me rodeado de espectros no brinde
de quem respira o ar de um edifício
em ruínas.
(o espaço visto dentro/ espaço visto fora)
O verde doentio das palavras entregam-me
as falas mudas com os fantasmas no escuro.
Afinal de contas, há uma festa: um vazio
de corpos, um aperto de fantasmas.
E um manequim que me dá corpo.
(janelas quebradas)
O ruído da festa é manso, mas
na realidade corpórea escuta-se o eco no vazio.
Já tenho dúvidas se sou também
um convidado fantasmagórico ou se continuo
a ser o anfitrião de fato e gravata esfarrapado.
(o televisor em formigueiro)
Alguém entornou a bebida no chão...