2.4.07

As noites esquisitas: sonhos estranhos com casas abandonadas,
destruídas, e personagens de uma outra vida;
o imaginário Frida na nossa volúpia artística; segredos
que ninguém nos conta; artifícios para um outro dia
de preguiça.
Agitação: ideias, pensamentos, raivas, depressões...
inimigos de desejo e de trabalho; olhos cansados,
o ruído dos electrodomésticos...

...

Isto não é um diário. É uma outra coisa qualquer
que eu não sei bem definir. Já apenas sou
um fantasma que escreve... seja essa a explicação.
Preciso de uma mordaça...

...

Nunca vi o carrinho dos sorvetes, mas sempre
que ouço o sole mio mecanizado no quarteirão
imagino um palhaço triste.

...

Desenho uma concha de guttapercha com as poucas
palavras que me restam. Imagino infinitas possibilidades...
mas o perder os dias é um abismo.
Fico na cama a ver as mãos iluminadas por um candeeiro
e teço um amanhã que nasce e acaba sempre incompleto.
A lua cheia... uma outra foto e uma outra porta
a abrir-se para a criação. Despeço-me com um sorriso
de Setembro.