6.3.07

No jardim de quem espera há uma árvore morta
e flores quebradas num último respiro de dor.
Os corvos são homens vestidos de negro.
(os pinguins sofrem)
O envelope trazia música para amigos.
Ouvir é um exercício de escola Kafka,
um misto de tristeza e sarcasmo.
Uma garrafa de vinho vazia.
Um corpo de alma vazia.
A luz apaga-se devagar… somos monstros novamente.
Somos também prisioneiros destas viagens.
Desentendemo-nos.
Procuramos o desacordo.
( “a amizade apenas pode ser salva com sabedoria”)
Lá fora há um frio cortante.
Cá dentro um silêncio mais cortante ainda.
Fica escuro.
Ouve-se o atravessar longínquo dos aviões.
(são tantos)
E eu quero partir. Ver um dia de sol por cima das nuvens
e mastigar desejos de me encontrar nalgum dia.