A porta fechou-se.
Fiquei suspenso num mar triste
à espera de uma outra negritude
(chegou um sorriso da Índia)
Abracei o silêncio e desfiz em pó sonhos.
Banhei-me em águas turbulentas e lambi o salgado
da pele seca.
Atirei pedras a uma curta distância e respirei
tremores invisíveis.
Soltei cães raivosos…
(segredos, segredos)
A quente tristeza de quem espera sufoca
a mão no papel. Gela dedos, enerva
as unhas para os dentes.
Os homens não têm olhos… abre um livro
para o ouvir.
As mãos são cores de um peluche desalmado.
Do outro lado, a cidade numa noite de artifício colorido.
(o cinzento e o amarelo convivem no mesmo retrato)
Entre eles a melancolia
num pousar da cabeça nas mãos ensanguentadas.
Um peso inexprimível.
Desastre. Negritude. Vício.
As palavras não se acabam.
Desenrolam-se em teias pegajosas e três pirilampos
descobrem-se aos gritos num palco de guitarras.
(obedecem a um outra electricidade…)
Dentro de um frasco, uma outra tinta.
Na mão, um outro pó.
Nos olhos um outro brilho.
(a morte esconde a rainha…)
O livro abre-se novamente.
As palavras esquecidas surgem na fluorescência
de um outro planeta.
(a lua?)
A luz do candeeiro ilumina papéis rabiscados
numa língua-fantasma, que vai e vem
na visibilidade, abrindo portas
para uma outra viagem.
(espacialidade nervosa)
As palavras são estas: amor e ódio.
Do amor há um outro abraço que nos aperta.
Do ódio há uma força para a fuga,
para um outro segredo escondido num livro barato.
(a pele desfaz-se na alegria de quem despe uma gravata)