1.3.07

Manhã de sol quente a entrar pelo quarto, mas
um vento frio a apertar-me os ombros desunindo-me
em passos incertos para a quinta-feira do costume.
Há vozes na primeira sala. Passos alcatifados
nas voltas tristes de uma outra imagem colorida
entre Barcelona e Andorra. Viagem adiada.
Como é irritante esta banda-sonora de teclados,
martelos de plástico à velocidade de um espasmo.
Anti-poesia da escravidão moderna.
Ontem fui um monstro. Hoje sou um outro.
Mas continuo monstro. Mostrengo.
Fico no silêncio do improviso de não saber que dia é hoje
Coincidências.
[…]