28.2.07

Afinal somos monstros. Escondemo-nos no escuro
e salivamos por um outro alimento, fechamos a porta
aos amigos (também monstros) para que não nos vejam
em metamorfoses horrendas, lambemos feridas
como mães de nós mesmos…
E as nossas mãos tremem… escondem-nos
o rosto, limpam lágrimas invisíveis.
Escrevem-nos os dias em caligrafia perdida, nervosa, a abafar-nos
a voz, matam-na.
(é um vazio imenso)
Saio de casa para um “respiro”, um exercício
de frio: caminhadas panorâmicas. Dar
velocidade aos pensamentos…
uma triste história de um sufoco.
Tenho de sair deste buraco.