19.2.07

Estar só
A percorrer tardes enubladas, devaneios no vazio,
No ficar a olhar para a janela e ver paredes ao fundo.
Um som intransmissível a quebrar-se no fundo de nós.
(despedidas)
O silêncio é um outro eu. O tempo é um obstáculo.
Recorda-se a palavra do morto: ONTEM
(estes dias são iguais)
Fomos todos os dias às tristes rotas labirínticas
De lá não trouxemos nada… perdemo-nos…
Cansámo-nos… Morremos.
(Pele desfeita)
Os aviões a serem só ruído, um trovão de máquina,
A rasgar a tempestade silenciosa.
A noite a entrar pela casa e a vestir-nos o pijama cinzento.
Depois… a leitura: um fechar de olhos perante as palavras escritas.
O adormecer…
Os sonhos da primeira manhã só…
Flores de campa deserta num vermelho forte.
(sangue)
A violência possui a eterna doçura das nossas línguas.
Não escrevo para os teus olhos.
(Observa)