Manhãs de violinos tristes. Sons de locomotiva.
(Longe)
Paragem cardíaca do tempo.
Fomos feitos para deambular dentro de uma casa sem alma,
Antiga, onde a companhia é uma televisão ligada
Para cegos sentados em cadeiras almofadadas.
Lá fora não existe nada…
Carros parados, gente muda, uma biblioteca triste,
Um subúrbio a respirar pós.
(Fuga)
A queda horizontal = vida
Sonhos desfeitos. Portas que se abrem para um precipício…
…ideias pára-quedistas.
O dia é noite: estrelas longínquas, mortas,
no brilho de quem sorri sem ter razões para isso.
(ideias?)
A culpa:
uma perseguição à chuva… a despir pele molhada e cabelos:
um corpo nu.
(galochas de guta-percha)
A doença das nuvens não tira ninguém de casa.
Nem livros, nem jornais, nem pensamentos raros.
Regresso ao palude.
(palude = padule = paul)