Escrevo agora sob a luz de um candeeiro. Já passa da meia-noite. Ouço o tic-tac do relógio num pequeno quarto em Londres. O tempo é tanto. Dois outros candeeiros dormem de inutilidade. Estendo as pernas. A temperatura é agradável. Neste mundo há coisas bonitas. As mais lentas são enigmáticas. Prefiro-as.
Aos poucos constrói-se uma estrada e caminha-se sobre ela. Aos poucos abrimos a boca para soltar palavras e lhes concedermos prazeres libertinos. A palavra apenas quer liberdade.
Os fantasmas vão sendo enterrados com a mistura dos corpos. Corpos em permanente movimento e agitação. As transformações operam-se. Por dentro e por fora. De dia e de noite. Na solidão e na mundanização. Que importa agora o resto? Sai-se da prisão invisível. Ao princípio custa-nos porque a prisão habitua-nos e deixa-nos marcas. Mas depois, quando sentimos o prazer de liberdade, da intensa liberdade, tudo é jazz, tudo é improviso.