Quando o mundo caiu tornou-se bidimensional. Outra vez. Agarrei-o pela Ásia e dobrei-o para as Américas. Deixei de ver África e Europa. E nunca vi a Austrália. A cor dos pólos não me aflige. Nem sequer a noto. O azul é igual. Se fosse água, ou melhor, mar, não ficava parado. Molhava-me o chão do quarto todo. Com o calor já se teria evaporado. E chovia. E voltava ao azul estático. É por isso que no papel o azul não molha. E o gelo não queima. De o movimento dos ciclos ser tão rápido fica estático. E as pessoas não vêem por ser tão pequeno. Ou por ser tão grande?
31.03.2004