7.5.03

o último dia

É bom transmitir aos insectos que eles são bons. Devem ser reforçados nessa ideia acabando por desenvolver uma maior motivação. Se dois ou três insectos começarem a conversar é sinal de que os objectivos não foram eficazmente conseguidos. O chefe deve ser aberto. Deve abrir todos os poros do seu corpo e deixar que o ar e os seus resíduos próprios entrem por prazer. Deve ter cuidado com os gestos pois podem revelar nervosismo no comando das tropas. Depois de 20 minutos poderá descansar e registar os melhores momentos com uma câmara fotográfica da paisagem verde que os rodeia. Essa é uma das tarefas do chefe. Além disso, deve elucidar os restantes insectos do processo a que estarão sujeitos durante o resto da sua curta vida.

Cheio de luzes excessivamente quentes e objectos electrónicos o ecossistema revela-se perfeito para o desenvolvimento da espécie. Apenas dessa forma será garantida a sua preservação.

Os insectos também se riem, embora mecanicamente, sem o à vontade que caracteriza o exercício de tal acto. Isso é devido ao facto de ouvirem em demasia os ruídos das máquinas que parecem autênticos motores de automóveis convertidos em sirenes ensurdecedoras. Contudo, além de já estarem habituados, têm sempre a vantagem de, no caso de danificarem os tímpanos, crescerem outros novos e com um maior alcance. O cérebro é que sofre pois ouve cada vez melhor. Mas, estas coisas estão manifestamente muito bem feitas… Para colmatar aquela situação, foram feitos sem nervos e, por isso, não sentem dor.

O trabalho seguinte terá de ser feito por todos e estão sujeitos a aprovação para poderem continuar vivos. 70% de respostas certas é o suficiente para garantir a vida pelo menos durante mais 2 semanas. Depois estarão sujeitos a um novo trabalho e assim sucessivamente. Apenas um erro não podem cometer: falar demais! Brainstorming adulterado pelas palavras dá azo a que insectos mais desprevenidos acabem por se enterrar no abismo dos pensamentos. É o marketing das situações esquisitas…

As gerações seguintes de insectos devem saber elaborar conceitos completamente diferentes de construções planificadas. Contudo, é muito mais prático não dar nome às coisas e às actividades. Deve incentivar-se o exercício dos diapositivos virtuais verdes que são possibilitados pela imaginação. De resto, é necessário controlar a queda das emoções. “Zylon” não o conseguiu e deixou-se envolver por uma vertigem impossível de evitar ou combater. Caiu no vazio e transformou-se em 5.