8.5.03

klaxon/klaxon

Sentado num banco em movimento, o Dr. Klaxon já bebia a sua segunda cerveja feita de uma mistura de mercúrio e esperma. Com o cabelo cortado à soldado da II Guerra Mundial batia nervosamente com os dedos de metal da mão direita na mesa feita de osso de dinossauro. Estava sério. Muito sério… Disfarçadamente vestido com umas calças de ganga e com uma camisa aos quadrados azuis e brancos, não escondia o seu nervosismo… iria fazer parte de um plano diabólico!

Ao seu lado, o brasileiro Jonas. De boné na cabeça, não perdia tempo e metia conversa com uma mulher verde que se tinha enroscado com o ânus à sua frente. Quando se ia levantar para ir mais uma vez à casa de banho, parou e tornou a sentar-se. O telemóvel do Dr. Klaxon tinha tocado… Depois de uma breve pausa para ver de quem era o número que lhe ligava, atendeu. A sua voz cavernosa, própria de uma pessoa com quase já 50 anos habituada a fumar diariamente charutos de chá preto, projectou-se.

O brasileiro Jonas tentava escutar a conversa mas não estava suficientemente por dentro do plano para perceber do que estava concretamente a falar. Ao aperceber-se disso começou a assobiar uma cantilena qualquer…

A mulher verde aproveitou aquela agitação sonora e desenroscou o seu ânus ferrugento do banco sem se notar a chiadeira. Olhou para os dois e para o empregado, disse boa noite e abandonou o local arruinando o plano diabólico há tanto tempo programado.