16.5.03

a cidade

Não há nada como esta cidade…
Pequena e pacata, possui uma loucura muito própria
A procura de algo que nela não existe é aliciante e, ao mesmo tempo, um tormento
E a beleza da sua nudez só a sentem os vestidos…
Artificialmente não morre
Vai sobrevivendo à medida que cresce para a desgraça do infinito
Possui mil olhos e mil mãos
Mas, para que isso acontecesse, foi necessário, primeiramente, cortar as suas duas mãos já velhas e arrancar os seus olhos cansados
Assim substituiu-se o natural pelo artificial…
E, durante a noite, come carne humana, impiedosamente.
Aparentemente é feliz
Mas isso não importa
Não importa que seja feliz ou não
Importa sim, que seja cidade.