16.11.18

viagem de metro

adivinha-se um novo processo de rotinas, novas cores (ainda que esbatidas), o mesmo sentimento abstracto, uma procura incessante de pequenos pormenores neste divagar momentâneo. tudo pode vir do acaso, mas também pode existir uma teia de ideias: coisas abstractas (como esta), objectos pessoais (uma espécie de meditação sobre estas coisas que nos rodeiam), lugares, pormenores ampliados, ideias artísticas, cores, movimentos, repetições (o mesmo lugar em diferentes horas do dia), uma retrospectiva de coisas antigas, formas geométricas (há que tirar proveito das ferramentas que temos ao nosso dispor), músicos ou coisas de música, a cidade, minimalismo e maximalismo, outros contrastes, imagens domésticas, montagens (porque não?), retratos anónimos (ou não), as paisagens mais insólitas.

14.11.18

Sombras geométricas

Às vezes só é preciso dar duas voltas ao quarteirão, exercitar os músculos dos pés e das pernas, e escutar o rebuliço no seu andamento ruidoso do meio-dia. Há sempre uma passagem secreta para uma rua escondida, onde os sons ficam em lugares cimeiros, bem lá em cima entre as chaminés e os aviões. Abre-se uma janela e há um papel que cai, alguma coisa nele escrita, um poema amarrotado numa língua estrangeira. Talvez seja um novo rascunho de alguém que passa as horas entre quatro paredes brancas, um som de rádio que se confunde com o trânsito distante e um retrato de alguém morto há muito tempo: um músico, um poeta, um escritor, um ídolo? É o sol que entra pela janela que determina a hora.

13.11.18

Miles Davis - Kind of Blue

Andei sempre à procura destes sons, documentários a preto-e-branco que foram aparecendo na minha mesinha de cabeceira, e o Miles (que até aqui não fazia parte do Olimpo) entrou no mapa cumprindo o triângulo (Coltrane, Mingus, Miles) e mostrando que afinal todo o smooth era possível sem cair naquele lado mais série B do estilo. Foi um objecto que continuou a tocar durante horas e horas. As melodias foram ficando num pedaço de inverno, entre os cobertores e a ideia de uma era impossível de alcançar.

Fila de um homem só

Um diário de emoções pode ser um atalho para uma descoberta. Uma imagem nunca serve para alimentar a seiva das palavras, mas deixa-nos sempre à porta de qualquer coisa: de um edifício, de um mar, de um sonho. Há homens que viram as costas aos livros e há outros que ficam ali especados à espera. Eram já horas de estar na biblioteca entre os livros e os ruídos do silêncio. O homem contempla a sombra. Ninguém o acompanha. Há outro que diz bem alto "se calhar pensam que hoje é domingo". Era uma piada. Mas o homem da sombra não acha piada nenhuma quando se brinca com relógios e calendários.

12.11.18

Algumas ideias para breve

O caderno está a acabar e não há vontade de continuar a escrever tanta coisa indecifrável. Novos processos em estudo e uma lavagem de blogs.

5.7.15

O melhor pretexto

"Assim aos trinta e sete,
Fechados alguns ciclos,
A vida ainda pede
Mais sentimento, vínculos."

O'Neill, p.184

18.6.15

Buster Keaton

A cena em que uma mão tapa a lente quando a mulher nua se tem de agachar para apanhar o sabonete no chão. Uma forma criativa e divertida de não mostrar mamas.