Há uma palavra que descreve o deambular identitário: estrangeiro. É-se estrangeiro no estrangeiro porque se trata de um país onde não se nasceu. É-se um estrangeiro no país onde se nasceu porque se vive noutro. O estrangeiro está em toda a parte, possui uma identidade fragmentada: uma que se constrói permanentemente, outra formada que se apaga e desliga em intermitência de presença física.
O emigrante nunca é estrangeiro. Move-se por espaços que lhe pertencem e que lhe dão o apego anti-desligamento. Possui a identidade aprumada e deus o livre de perder o país de vista e de tacto. Diz que está sempre bem onde está porque construiu o refúgio que o impede de ser estrangeiro. Possui sempre uma identidade convicta.
Estou numa fila absurda para levantar um mero cartão de cidadão. O meu país não faz nem é melhor que isto.
