26.1.11

No princípio achava estranho: "como foi o teu fim-de-semana?", "como é
que andas?", "o que é que tens feito?", "onde é que moras?" Não estava
nada habituado. Respondia muito secamente com um "sim", "não", e de
vez em quando lá saíam duas ou três frases. Só depois, ou muito
depois, é que saiam as primeiras conversas sobre trabalho. Sempre, ou
quase sempre, com uma piada ou outra pelo meio. Agora já sou eu que
digo "como foi o teu fim-de-semana?", "como é que andas?", "o que é
que tens feito?", e depois a conversa flui para outros lugares e o dia
se torna mais fácil. É isto que faz sentido não é? Mesmo quando
chegamos a casa. Principalmente quando chegamos a casa: "como foi o
teu dia?", "o que tens feito?", "como correm as coisas?". É a coisa
mais simples e fácil do mundo. Mas há quem faça disto um bicho de sete
cabeças.
Há uma cena de um filme que me sobe muitas vezes à cabeça: o ùltimo
diálogo do Benigni com o médico amigo no A Vida é Bela. O médico era a
única forma do judeu se livrar da morte certa, mas o médico em vez de
lhe perguntar de que é que ele precisava, apareceu com uma charada
insignificante que ele próprio não sabia resolver. Preocupado,
extremamente preocupado...