Estar só é ser um outro que me dá intervalos de
silêncio; que respira as palavras não faladas para
outra voz longínqua adormecida. Ouvir é ter
saliva nas mãos no embalo de quem chora muito
durante a noite.
«everything's still
everything's silent»
Não sou o mesmo do outro lado da janela: um
esqueleto entre arbustros e farrapos estendidos ao
sol; nem sequer um espantalho imóvel a ser
comido por corvos por puro prazer de bicar o
gozo. Estar longe de mim mesmo é ser um
destes aviões que passam de 2 em 2 minutos sem
destino, sem bússola, a roar a distância
num bilhete de carrocel.
Deixei-me ficar em cima do piano a ganhar pó e
a humedecer palavras não escritas. O pó amontoa-se
à medida que a noite cai...
inside the attic
ghosts dive in tears
emptiness is cruel
in dreadful moments
of pleasure