23.2.07

Noites em branco a imaginar um amanhã já tardio,
Um pacto diabólico com o vazio.
Tudo fica no pensamento: as ideias são mais belas do que actos.
Porém alimentam-se deles.
Um caso sério de tortura.
(as feras visitam-nos)
[…]
Já não somos os mesmos… os espantalhos do costume a tecerem irrealidades.
Somos deuses de um planalto invisível as respirar energias
Do ruído que ecoa num promontório.

Já são seis horas.
Os dias passam nesta velocidade de pássaro negro
que atravessa quintais de sombra.
(Espero)
A música está numa outra divisão.
Nesta há apenas intermitências de electrodomésticos
E uma gota a marcar um outro compasso, um ping de tristezas.
(hoje ainda não estou triste)
Tenho planos para uma semana num outro planeta
(um planeta infinito)
E espero perder-me ao abrir covas.
Sem reticências, sem parêntesis, sem virgulinhas
e verrugas de tipografia.
Estar longe é como estar morto e só comunicar com alguns
Feito fantasma.
É imaginar-me nas fotografias antigas, raras,
A ler livros aos quadradinhos.
(a caderneta do avô)
É enterrar-me no barro até aos joelhos e ir a chorar para casa
De botas ortopédicas na mão e cheio de vergonha.
(e ouvir o Hugo dizer-me, e com razão,
que eu era um parvinho)