7.6.05
ser um estrangeiro
O intervalo desfez as ideias principais. Perderam-se imagens de tempos nocturnos, despreocupados, vividos. Recordo-me, agora, sem querer olhar, sem querer abrir com esforço o horizonte passado, aqui, sentado, na contemplação do desértico modo de ser dos outros. Há luz que chegue para isso. Todos os rostos borbulham para uma solidão estrangeirada. Naquele tempo não havia gelados, nem raparigas simpáticas a coser sorrisos. Desconhecem todos o meu inferno… Eu, que já habitei os mais profundos estratos infernais, pactuei com Mefistófeles numa cerveja esbranquiçada e sem sabor. Que ódio aos filhos da morte. Quero o inferno pelo calor e não pela cor. Que arda a noite em sombras… Voltas sempre ao mesmo lugar, renovado, em planaltos mentais de pós-destruição. Ser um estrangeiro já ultrapassou o querer.