8.6.05

numa carteira da primária

Numa carteira da primária ouço o “professor” “repe-lento” de palavras-sempre. Orgulhoso dos seus ensinamentos introspectivos. Porque é professor, lembra-me dos erros ortográficos, das fracas construções de frase e acentua com estrangeirismos bacocos a sua sabedoria de leitor de grandes obras culturais.

Não consigo ouvir. Não me sinto/sento na dimensão desta carteira. Cresço cada vez mais, contrariando os jogos psicológicos dos senhores professores. Depois, o professor ainda deixa crescer o bigode sibilante ao dizer: “podes levar os meus escritos contigo”. Enquanto isso, o gato ronrona, mia e desliza com pêlo por debaixo da carteira assediando as minhas pernas.