23.6.05

a cidade é cada vez mais um paul

Andamos todos os dias numa pira funerária feita do algodão das nuvens… Escorremos sangue da cor do suor salgado e choramos nada (por nada)... Ao acordar, adormecemos, ao levantar, caímos numa vala comum feita de pele, carne e pensamentos vagos… Ao abraçar o dia engolimos a noite de um tempo infernal esbranquiçado e entrelaçamos as mãos com medo da desgraça infinita… Percorremos estradas que nunca mais acabam, ensaiamos a velocidade num traço de mãe incógnita e atingimos na lentidão imprevista a ideia que toda a feira de gente cega: “a cidade é cada vez mais um paul”.