10.1.05
barbas e os apostolos conflituosos
No primeiro dia, logo de manhã, o encontro gerou-se à volta de uma mesa geometricamente esquisita. Os ânimos exaltaram-se com o esborratar das palavras guardadas num pequeno processo. Um deles era um bicho. Uma figura estranha, sem cérebro, que julgava ser detentor de um. Confundia a massa cinzenta com o seu farfalhudo bigode. E quando andava com maus pensamentos aparava-o subtilmente. Além disso, esbanjava a riqueza guardada em concertinas avariadas. A assistente estava presente (anda sempre com as mesmas calças) e por um café abandonou a sala com um sorriso sexualmente malandro. Notoriamente sensibilizada com o facto de eu estar de pé há mais de mil anos perguntou muito sensualmente: “não queres a cadeira?” e deixou cair uma lágrima no peito. Alguém se lembrou de cobrar bilhete. “Venham, venham todos. Venham assistir a um espectáculo nunca antes visto! Um espectáculo em que tudo pode acontecer. De um momento cómico pode resultar um verdadeiro confronto sanguinário entre os líderes.” A plateia amontoava-se à entrada. Toda a gente queria entrar sem pagar. Mas o estranho, provisoriamente porteiro, pretendia ficar rico à custa da estupidez dos outros. Era grande e forte. Escondia a cara com uma máscara vermelha e amplificava a voz para uma reverberação gutural. Metia medo. Muito medo. Em Novembro contava alcançar os objectivos e partir para outro mundo. Tudo estava a correr bem.