29.12.04

o templo dos papéis

Nestes quadrados desenhados no chão pesam mundos perdidos. Calcam-se fronteiras, pequenos enigmas de sujidade, e cruzam-se os génios de cores iguais e feitio diferente. A orgânica do templo não obedece a esquemas muito rígidos. Existe um peculiar “desordenamento” das coisas mais vulgares, e existe uma desobediência à conotação do tempo.
Os nervos distraem-se no piscar dos olhos. As portas de pensamento obscuro abrem-se até aos confins misteriosos mais profundos. É lenta a viagem. Tremem porque a desgraça é infinita e a ansiedade começa a produzir um efeito desconhecido. Complicam-se na teia das inúmeras vozes, mecânicas, galvanizadas pelo medo de ter poder (um ínfimo poder) nas mãos.
Os inúmeros papéis que escondem os podres da humanidade ganham um aspecto sujo, amarelo-decadente. Nunca mais chega a hora…Poderia estar num outro lugar feito de flores e cores. Onde as estratégias são verdadeiramente claras e os sonhos apaziguam a permanente busca de um objecto. Não se auscultam segredos. Abandona-se o génio a arena, pronto a ser devorado pelas feras. Sem qualquer ressentimento.
(Vive-se num egoísmo permanente).
A única hipótese é a fuga. Para longe deste minúsculo universo camuflado de sabedoria e arte. Resistência é a palavra que deixa de fazer sentido. Desistência é a oportunidade de mudar de vida. Todos os homens querem oportunidade para vencer pelo menos uma vez.