Exactamente. Mas já com os fundos estruturais foi assim. Em 1990, calculávamos que cerca de 75% dos fundos regressavam à origem, não só nos produtos que íamos lá comprar (para as pontes, para as fábricas) como em consultoria (em desenho, em planificação). Tudo o que era caro vinha da Europa. O presidente da República é o grande responsável histórico disto. Não tenho medo de o dizer: é o homem que mais mal fez a Portugal. Pela forma como geriu os fundos. É do tempo de Cavaco o abate dos nossos barcos, da frota de pesca. É do tempo de Cavaco dizerem aos nossos agricultores: “Não agricultem, arranquem as vinhas e as oliveiras, e pagamos por isso”.
Cometeu um outro (estrago), que na minha opinião é um crime: quando vieram os fundos destinados à formação profissional. Foram muitíssimos fundos. Lutávamos para que fossem geridos pelas universidades, sobretudo universidades técnicas. Cavaco Silva, que tinha um contencioso com as universidades, decidiu que seriam centros de formação (a fazê-lo). E foi a mais completa, a mais secreta, a mais profunda, a mais prejudicial corrupção que alguma vez houve em Portugal. Criaram cursos fantasma, para dar formação fantasma, que não permitiram a requalificação da nossa mão-de-obra. A requalificação está a dar-se agora, nas universidades, com os mestrados e os doutoramentos.