Este ano aparecem todos os dias. Cremos que existe uma família por perto. Há cerca de 3 ou 4 semanas estavam todas a brincar no fundo do quintal, aí a uns 25 passos da casa. A janela da casa de banho era o local de observação: duas adultas e três pequenas. As pequenas brincavam, as adultas espreguiçavam-se ao sol. Eram cerca de 8 horas da noite e nada as parecia incomodar. Tentámos não fazer barulho e nem sequer saímos cá fora. Elas pressentem e ouvem todos os movimentos.
Todos os dias, ao fim da tarde, vemos sempre a mesma raposa pequena pela janela da cozinha. Ela sabe que estamos dentro e não se sente ameçada mesmo quando estamos a falar em voz alta. Por vezes ela vê-nos. Pára por momentos olhando-nos muito fixamente de olhos muito abertos. Certamente não nos fareja. Ouve-nos apenas dentro de casa e por isso distantes, e isso é o suficiente para ela se sentir à vontade a caminhar em círculos no átrio em frente à nossa janela. No outro dia apareceu-nos com um rato na boca. Não um ratinho. Um rato mesmo. Um rato de campo.
Nos dias em que lhe deixamos restos são certamente mais felizes. Ossos de frango e costelas de porco são um verdadeiro regalo. Ela aparece, investiga, apanha um osso e leva-o para o fundo do quintal, junto à horta, onde o devora. Vem buscar outro, depois outro. Ao quarto osso já se sente à vontade para ficar. Já não se incomoda com o facto de a observamos do lado de dentro. Estou a vê-la agora. Focinho baixo à procura de mais ossos. Encontra um e lá vai ela. Para onde? Saio da cozinha e vejo-a ao fundo do quintal. Ela ouve-me e vê-me. Sabe que tem de encontrar um lugar mais sossegado e enfia-se por um buraco na cerca.