24.5.11

Em viagem com o JMB e a tirar notas disso

Resistir é vencer, dizem os criadores que se auto-isolam. A vida é
como uma estrada que vai sendo traçada, diz a canção. José Mário
Branco vai comigo agora no comboio.
Pouca terra pouca terra, a vida é uma estrada
Pouca terra pouca terra, a vida é uma estrada
Pouca terra pouca terra, a vida é uma estrada
Pouca terra pouca terra, a vida é uma estrada
Estrada ou caminho-de-ferro, o tempo faz-se e o sonho acontece. Quanto
mais nos dedicamos a mudar o mundo para melhor, mais sentimos o
encanto de que isso é possível. Rumar, rumar. Remar, remar. Navegar,
navegar. Viajar, viajar. Sentir o mundo sem que ele nos sinta.
Acreditar na utopia, na paz, no bem. Ligar os médios e, quando é
preciso, os máximos...
"...e nunca as minhas mãos ficam vazias", diz o poema da Sophia
"Pão, pão", diz a canção.
"...uma coisa é ser velho, outra coisa é ser antigo", diz ela outra vez.
A militância é uma limitância. Fica-se com a música. Com a força das
palavras. Com a forma artística. Com a fusão do ser com o que é...
Aceitar. Olhar para as pessoas e perceber que são seres humanos que
estão ali. Acordar todos os dias e dizer em cada um deles "hoje quero
ser melhor, hoje quero ser ainda melhor, nem que seja só um bocadinho
quase invisível".
Temos a música que nos ampara, que nos fala do mundo, das aves que
voam, sabendo nós que nunca poderemos voar. Que a humanidade tem toda
a sua vida à sua frente e dos sonhos tiramos a sorte.