20.4.11

O Metrlo

As manhãs são uma colagem de viagens: uma de autocarro de perto de
casa até à estação de Walthamstow; uma de metro entre esta e Highbury
& Islington; e outra de comboio entre a última e Gunnersbury. Em
Walthamstow é-se bombardeado por tipos que oferecem jornais Metro e,
dependendo do dia, a Stylist ou a Short List. Estas duas são
desperdício de papel, mas o Metro é um atentado: assassínos e outras
desgraças são o pão nosso de cada dia. Apregoados por indianos -
Metrlo, Stryrlist, Shrolt Rlist - a coisa assume contornos de um filme
de terror. Se me perguntarem qual o meu maior pesadelo direi
prontamente que é um indiano a correr atrás de mim com uma chamuça
numa mão e o Metro na outra - Metrlo, Metrlo, Metrlo - e um cheiro
nauseabundo a caril por todo o lado. Nada de interpretações racistas
aqui. O problema está unicamente no Metro e no caril. Se a minha
cítara indiana cheirasse a caril, não estaria guardada num canto da
despensa, mas sim numa das prateleiras junto com o arroz e a
esparguete.