7.2.11

Uns fingem que trabalham, outros nem por isso. Dois compinchas de copos saíram para um café. Há gente que se esconde atrás dos monitores de computador. Há gente que nem sequer apareceu, e já são onze da manhã. O puto que andou aqui uns meses a fazer design que nunca foi utilizado, foi um dos que ainda não apareceram. Deixou uma mensagem no facebook a dizer que ia regressar para Leeds. Teria sido uma boa piada se ele não tivesse sido contratado por um maiorial daqui que é amigo do pai dele. Por isso, não é forçoso concluir que ele sabe mais do que toda a gente.

Intencionalmente ou não, não me deram nada para fazer. Disseram-me para acabar as tarefas de quinta e sexta-feira. E eu com toda a naturalidade disse que já estava tudo feito (e já tinha dito o mesmo ao fim do dia de sexta), recebendo em troca uma mensagem a dizer que estava adiantado. Ri-me. De facto, não preciso que ninguém me diga que estou muito à frente. E lembrei-me agora do pensamento que se me apagou ontem antes de ir para a cama: "o problema da estupidez nem é a estupidez em si, é o facto de esta servir de alimento a outros para que não se sintam estúpidos". 

Ora, isto para dizer que não é o facto de ser competente que me dá pontos nenhuns.

Há silêncio e um bater de teclas ocasional, ruidoso, como quem quer dizer que trabalha. Eu escrevo, mas dou silêncio. Não entendo a violência com que muita gente matraca num teclado de computador. Nem a rapidez com que o fazem. Há um tipo, que por acaso ainda não apareceu hoje, que quando está a teclar levanta a cabeça e olha em redor feito um cão da pradaria. Dizem que vai mudar-se para os EUA em trabalho. Por isso deve saber mais do que todos nós. A verdade é que está toda a gente à espera da sentença. E todo aquele que já teve a olhar para uma fila de réus numa sala de audiências sabe muito bem o que isso é. Os olhos procuram sempre o consolo naqueles que estão mesmo lixados. Mesmo que a sentença seja apenas uma suspensão da mesma.