A minha avó paterna morreu hoje, domingo, 16 de janeiro de 2011. Nasceu em 1935. Tinha 75 anos. Fui visitá-la na passada terça-feira e já não era a "Avó de Galegos" de há um ano, na altura em que lhe pedi que me contasse um pouco da vida para uma câmara de filmar que andava no meu bolso. Tenho um filme comigo. Um filme que me dá o pouco do que ela é. Nele ela é a avó faladora, risonha e divertida. Com uma sabedoria rara. Havia algo que me dizia que a passada terça era uma despedida e isso custou-me. Custou-me ainda mais ouvir ela dizer que estava cansada, sabendo eu exactamente o que ela queria dizer com esse cansaço, e dizer que não conseguia falar como gostava, sabendo eu exactamente que falar para ela era muito mais do que o oxigénio que precisava. Tenho um filme. É pouco, eu sei, mas é a imagem e as palavras que me (e nos) restam.
Para já recordo isto:
Eu nasci no sábado de Aleluia (?) Decerto já nasci com a alegria comigo. (…) Eu às vezes digo assim: “Porque é que eu sou tão (…)… aquela coisa toda… e estava sempre bem, para mim estava sempre contente. Bem, tinha marés em que estava triste, não era? também havia tudo, mas para mim estava sempre contente.E isto:
E casámos… e trabalhei… e é assim, é a vida… A minha vida, a minha vida é assim… ó, mas para que queres saber a minha vida?