30.12.10

faz ruídos com a boca enquanto constróis


As minhas prendas de natal foram, por ordem de chegada: um catrapilas
amarelo com olhos e com um líquido com cheiro a melão dentro; uma
maquineta que se chama brain trainer na qual faço contas de somar, de
subtrair, de multiplicar e até de dividir (escusado será dizer que
ando a reeaprender a tabuada); e um pijama.

Curioso. As palavras e expressões que me saltam à frente dos olhos são
das que eu gosto mais: brincar, trabalhar (sim, gosto desta, apesar de
tudo), construir, infância, jogar, amarelo, cama, dormir, brincar na
terra, operar, sonhar. Esqueço-me de tantas outras, mas estas são as
primárias. O que é que se pode esperar mais de um catrapilas, um brain
trainer e um pijama? Será o pai natal a querer dizer-me: "constrói,
trabalha, treina a mona [que é a mesma coisa que dizer: "não fiques
burro"], e depois descansa e vai dormir"? E ao mesmo tempo: "brinca,
faz ruídos com a boca enquanto constróis, não esqueças a tabuada, joga
com(o) as crianças e sonha"?

Estranho. A cidade está vazia, não há a merda do jornal metro
espalhado pelo chão que um gajo até pega por uma questão de
reciclagem, e há um merdas na mesma carruagem que eu a ler um livro
sobre o merdas nojento do russell brand. Ontem acabei o ham on rye do
bukowski e aterrei como um catrapilas na cama com o meu pijama novo.
Não me lembro de muito mais. Devo ter sonhado.