5.11.10

ana moura (mesmo moura)


a mísia não gosta de fado aburguesado e eu também não. gosto da mísia e não sei sequer se gosto de fado mas ontem fui ver a ana moura na union chapel. é fado de só de lisboa pois coimbra não existe, nem convém que exista, porque o fado de coimbra é doutro veludo, doutra profundidade, doutro carisma.

eis o que é preciso no novo fado:

1.ser gaja, ser jovem, ter uma carinha laroca, ser jeitosa e abanar sensualmente a anca.
2.ter um vestido parecido com uma bola de espelhos porque o preto é demasiado pesado e triste.
3.ter um guitarrista jovem cheio de tiques, mais perto de um tecnicista de heavy metal do que da rudeza de um paredes.
4.ter um tocador de viola mais velho que comprova a autenticidade do produto.
5.ter uma voz sensual que fala baixinho e um timbre grave parecido com o de amália
6.fazer uma versão de um hino rock (neste caso, no expectations dos stones) que não entre na parvalheira da mariza a cantar smells like teen spirits
7.explicar um pouco a diferença entre fado tradicional e fado-canção moderno para justificar a razão de incluir fados de amália no repertório e justificar a fraca qualidade (musical e lírica) das composições originais
8.optar por arranjos músicais modernos – aquelas variações de acorde ‘inteligentes’ que nos habituamos a ouvir em telenovelas e festivais da canção
9.dizer que o fado não é sempre triste
10.e que é português

e depois ouvir esta entrevista da mísia e esquecer tudo o que foi escrito atras.