16.7.10
portugal sempre recheado de bons professores
"Fui para a escola, a professora, também… que deus a tenha em eterno descanso, mandava-me ir para casa para lhe acender o lume, dantes não havia assim fogões nem nada… “Ó […] Carmo vai para casa, põe-me uma panelica com uns feijõezicos em cima da coisa e faz uma fogueirinha, que eu depois de tarde ensino-te”. Nunca me ensinou. Também te vou dizer… se eram mulheres fracas, aquela era uma. Já morreu. Ai aquela era uma. Nem me dava de comer, nem me ensinava, e ainda me batia às vezes. Eu não gostava que me batessem. Eu podia ser… mas não gostava, era… há canalha que não se importa de levar aqui e ali… não gostava, era das que não gostava. Tinha muita fruta, muitas laranjas, muita fruta… “Vai apanhar as laranjas do chão, mas não comas nenhuma”. Eu… burra, outra vez burra. Não comia nenhuma, ela chegava à minha beira, cheirava-me a boca, não tinha comido, não levava. Se tivesse comido, levava. Era fraca, não era?"