20.3.07

Existe um ponto de partida para sair destas ferrugens:
portas entreabertas, bocas fechadas e mãos abertas.
(o tempo desce ao inferno)
As portas são de aço. As bocas são de bagaço.
As mãos são um pedaço de sonho inacabado.
Respiro ares de longe... um avião a cruzar
o céu no ruído de quem se vai embora coberto
de folhas secas e lágrimas de árvore.
Um dia respirei o nevoeiro e sentei-me
no peditório do papel a rezar palavras
num mantra de quem não sabe pensar em felicidade.
Vi que tudo não passava de uma reconstrução e
de uma caminhada em círculo ao ritmo de
passos perdidos.
No silêncio de quem dorme há olhos abertos
à procura de uma luz na frincha da janela.
A noite oferece sons a não-presentes.
E o ruído dos electrodomésticos ouve-se
cada vez mais distante. Para lá das rotas
dos aviões e dos ramos de árvore quebradiços.
(folhagem deprimente)
Um génio renasce, sacode a poeira, e fecha
as mãos dos outros para um braço de
ferro marginal.