15.3.07

A busca da simplicidade: uma tarefa árdua.
Tudo soa artificial e os dias repetem-se óbvios
numa tela de angústia criativa. A escrita repousa
neste pequeno caderno e não se leva a sério...
fica no pó de quem dorme ao frio durante a noite.

(um pouco de geada)

a fotografia ficou esquecida, não temos retratos
no nosso agora... temos este caderno de palavras
pouco seguras que nascem de dentro de um outro corpo.
O dia é trânsito e uma chamada não identificada:
a cena social quebrada a dar o respiro
de um outro amor.

...

Continuo na lenta divagação por fenómenos
que não são daqui, que não deveriam pertencer
a este outro degrau de mim. Os meus dedos
tocam o invisível e destroem tudo que atravessa
o umbral desconhecido para a realidade.
Tudo se desfaz num pó que se some.
Ligo-me à máquina: um jerusalém já antigo,
uma cara luxuria a despertar o eco da caverna.
Maldições.

(Esta paisagem de escombros...)

Onde está o palco?
Onde raio está o palco?
Imerso numa escuridão de setembro e num
silêncio fantasma.