6.3.06

coisa feita de alma

Não tenho paz comigo. Amorteço pensamentos com tinta-da-china e espero que a rotação do planeta me leve até ela. Estou em silêncio mas não tenho paz comigo. A água está fria. Gelada.

Há mistérios…

Segredos…

Tropeço em mim mesmo ou escondo-me com eles? Sou uma múmia conservada em misérias de 2000 anos. Cara estética. Olhos semi-cerrados. Uma boca de lábios finos, sem palavras e sem o mínimo gesto de fala. As paredes da minha pele desfazem-se por dentro. Aos poucos a minha coisa feita de alma vai-se esvanecendo, reduzindo-se à sua solidão tremenda. Estou dentro de um sarcófago humano. Destinado ao desaparecimento absoluto ainda em vida. A morte antes da morte. Pelo menos, dêem-me violinos. E desgraças disfarçadas…