21.4.05

roskolnikov do momento

Quero sair daqui. Descobrir que, afinal, tudo isto não passa de um mau filme com um argumento miserável e actores sem arte. Que esta voz-off aparentemente inocente é a grande responsável por esta mecânica do vazio e inoperância do fastio. Não me lembro de perder tanta vontade… vontade em magotes, a cair-me dos bolsos todos os dias… na rua, no sofá, nos estofos do carro, na cadeira do escritório, nas palavras sem sentido dos escritos, no chão, num buraco. Na irritação adormecida morre o tédio. Sou um Roskolnikov do momento, inseguro, dividido, indeciso, alucinado, perturbado, mas sem ideais de morte física. O balanço morre na mente. Obedeço ao passar das horas, esperando que a minha presença absorva o tédio. Em quanto tempo se desenvolve um ninho de bicharocos?