Entre as pessoas existem abismos
Fecundos.
Aguardam pelo momento certo em que se abrem
Como um cemitério de livros
Cheios de pó perfumado
E de pequenas dedadas de infância.
A noite é perturbada pelas vozes
Quentes palavras escritas são valiosas
Numa praia de areias em combustão.
As nuvens, ao perder a cor, desfazem-se
Por dentro e transformam-se em negros esgares
De silêncio.
Abismos fecundos…
À espera do momento…
À espera do traço-quebra
Das imprudentes doses de discussão pelo ego.
O ego cria abismo…
Um abismo fecundo por dentro
Pelo disperso movimento de dedos atrozes
A enrolar pensamentos para si próprios.
Não há tempo…
Ele apenas anda para a frente
Para trás fica a tristeza
E as inúmeras falas-ideias vazias
O abismo acontece
E não precisa de frases sábias para isso.
01.04.2005