13.5.03

o hóspede

A uma curta distância consigo ver flores e um pequeno foguetão que se desloca em câmara lenta. Um pouco mais longe, ainda se distinguem cores onde predomina um amarelo novo torrado (aquele que sobrevive das explosões). Papéis e sacos de plástico flutuam na indefinível distância entre o pavimento bruto do paralelo e o ponto mais alto da cidade.

Aqui, tudo é efectivamente diferente… Respira-se um sabor estranho feito de luz electrónica e mascam-se pensamentos de flanela sem cor. A vida projecta-se em imagens e pergunta-nos regularmente: «Já estás aqui?!». O sono interrompe-se e desloca-se perigosamente da sua órbita…

O hóspede decidiu suicidar-se. Abriu os olhos e olhou para baixo com clareza. Apenas um pequeno passo seria o suficiente para o catapultar para o Infinito…

Tornou a fechar o olhos, respirou fundo e, suavemente, caiu abaixo da cama!